Em busca da casa móvel

3 de abril de 2015 às 18:08, por Paulo Rogério

Aguardaremos as cenas do próximo capítulo!

3 de abril de 2015 às 19:03, por Joao Maia

Pois é Gustavo. Você tem razão.

Quanto aos preços no Brasil, não se justificam. Veja por exemplo quanto custam 3 spots acompanhados de excelentes lãmpadas de 12v de 190 lumes (lâmpadas compradas na China (aliexpress) custam cerca de US 3,00 cada!

Desisti do meu Camper por outras razões. Recentemente aluguei um motorhome em Frankfurt por cerca de 100 euros a diária e passei quase um mês pela Europa com a família, pagando cerca de 20 a 25 euros pela diária de campings excelentes. Nos EUA também pode-se alugar ótimos motorhomes ou trailes. Tudo pode ser feito daqui mesmo pela internet.

Será que vale a pena investir R$ 350.000 em um motorhome? Creio que os amantes de trailes e motorhomens poderiam começar a pensar em construir os seus na garagem de casa. Não é tão complicado assim (conheço quem já fez isso). Muitos acessórios podem ser comprados na internet. É preciso um bom marceneiro para os móveis. As instalações elétricas são fáceis (bateria estacionária, conversor, carregador de bateria, depósito para água potável e servida (fáceis de comprar), banheiro químico (a amazon.com envia para o Brasil, já comprei um da CAMCO).

É mais fácil construir um trailer do que um motorhome, mas pode-se adquirir uma Van, forrar as paredes internas com lã de vidro ou isopor e compensado naval (deixando antes a fiação embutida). Vi, no YouTube, um feito com paredes internas de drywall e lã de vidro. Não ficará tão perfeito quanto um desses de fábrica, mas compensa para quem quiser se dar ao trabalho. Tudo, tudo mesmo (geladeira 12v, fogão, chuveiro, bombas dágua etc) pode ser comprado pela internet na Amazon americana, alemã, francesa ou inglesa. É preciso usar a imaginação e fazer um projeto no papel.

Este aproveitou um furgão:

Existem dezenas de projetos no youtube.

4 de abril de 2015 às 11:40

Com certeza é possível, João, e deve ser divertidíssimo. Gosto muito de fazer as coisas em casa também. O problema nesse caso é que o tempo é finito, e precisamos escolher o que fazer com ele.

4 de abril de 2015 às 14:12

Seguindo a história então, enquanto o negócio da camionete era fechado fomos em busca de trailers locais para conhecermos melhor um exemplar por dentro. Encontramos apenas um único Turiscar a venda na cidade, um Rubi. O anúncio informava que havia sido reformado a pouco para uso próprio, mas o dito ficou parado após a reforma esperando por um pouco de ação. Agendamos então a visita por telefone com o Venâncio para ver o candidato ao vivo.

Antes de irmos, conversei com minha esposa para prepará-la para ver algo que não estaria nas condições que gostaríamos. O dia novamente estava quente, e apesar do anúncio informar uma reforma, o valor estava baixo, então não esperava encontrar algo em um estado fantástico. Seria problemático para nós se a primeira impressão prática sobre trailers fosse traumática. Pedi então que direcionassemos nossa atenção para fatores que seriam constantes e independentes do estado: o espaço interno, a acomodação dos móveis, o tamanho da mesa, e assim por diante.

Na visita fomos inicialmente recepcionados pelo pai do Venâncio, que havia sido o principal usuário do trailer, e logo em seguida chegou o Venâncio para nos mostrar os detalhes.

O trailer era um Rubi, do modelo antigo que ainda tinha o janelão na frente. O estado geral era razoável:

Mas haviam algumas coisas mais complicadas para serem resolvidas, provavelmente resultado de ter ficado na rua por muito tempo:

De qualquer forma, como combinamos procuramos prestar mais atenção no espaço interno e disposição geral das coisas, para melhorar nossa ideia do que buscavamos. O espaço era bom, mas o ideal seria se houvesse uma terceira cama além da de casal e da mesa da sala, para podermos acomodar o rapazinho sem comprometer a mesa principal para nosso uso. Fora isso, ambos achamos que nos sentiríamos bem dentro de um ambiente renovado naquele formato.

Ao final da visita, questionei sobre sua experiência enquanto criança nesse mundo dos passeios com a casa a reboque, e a resposta foi totalmente positiva. Encorajador para nós que estamos prestes a colocar nosso filho no mesmo rumo.

Como parte desse papo, também recebemos mais uma dica sobre o “esconderijo” dos trailers e motorhomes em nossa cidade. De outras conversas, já sabiamos que havia um estacionamento em alguma parte da cidade que muitos proprietários utilizavam para esse fim, mas não sabiamos onde. O Venâncio também não tinha o endereço, mas tinha ouvido falar que ficava perto de uma determinada região da cidade. Com essa dica fui até a região, e começei a perguntar em pontos próximos (postos, etc) se sabiam onde ficava, até que achei.

Não era exatamente um estacionamento, mas sim um galpão antigo, e o ponto realmente é um tanto escondido, o que justifica as pessoas com quem tinhamos contato não saberem dizer ao certo onde é. Mesmo tendo visitado, eu mesmo não sei dizer o endereço. Teria que explicar como chegar.

O visual do local é legal:

Infelizmente, está lotado. Tem até trailer sobrando que tem que ser manobrado para tirar o de trás.

Lá bati um papo com o Carlinhos, que cuida o local, com o Eduardo, dono de um Turiscar Eldorado que fica lá, e com o Oliveira, dono de um antigo motorhome Turiscar que dorme lá também. Na conversa, um deles ficou impressionado que tinhamos a idéia de rebocar um trailer de maior porte com uma S10, pois acreditava que trailers de dois eixos eram mais instáveis, segundo experiência própria rebocando um desses há tempos atrás, e também que a S10 não era potente o suficiente. Respondi que esses detalhes não parecem corretos, e que embora um novato nesse mundo, nas pesquisas que fiz (e pela lógica) os trailers de dois eixos são mais estáveis, e que provavelmente a experiência dele havia sido com um trailer da Karmann Ghia com uma suspensão comprometida, e informei que a nova S10 tem potência e torque razoáveis. Ele confirmou que havia sido um trailer da Karmann Ghia, mas permaneceu incrédulo sobre a potência da S10 ser adequada. Fazer o quê?

No todo muito boas conversas, e gostamos de ter conhecido o Rubi e seus donos. Precisavamos ver mais trailers.

Continua…

4 de abril de 2015 às 15:46, por Andre Americana

Muito bom…sinto que logo logo teremos fotos do equipamento já comprado!

5 de abril de 2015 às 23:02

Estamos quase lá, Andre. :slight_smile:

Depois da visita local, começamos a planejar um tour para visitar vários trailers usados. Como esperado, a maior concentração de veículos no estado fica na volta de Porto Alegre, então fizemos uma lista inicial de veículos interessantes que gostariamos de ver durante um final de semana estendido. Além disso, duas das principais empresas de trailers do estado, a Sinostrailer e a Casa do Camping, ficam ao lado de Porto Alegre em Novo Hamburgo e São Leopoldo respectivamente, então incluímos ambas no tour também.

Enquanto preparavamos a rota do tour e faziamos a filtragem da lista, acabamos percebendo que três dos trailers semi-novos que gostariamos de ver na verdade estavam sendo anunciados pela Casa do Camping e pela Sinostrailer, e vimos também que haviam trailers usados anunciados pela Sinostrailer em excelente estado, e que provavelmente estariam em estado no mínimo equivalente ao que achariamos no mercado fora dali. Com isso, acabamos fazendo uma filtragem mais radical para otimizar nosso tempo, e resolvemos visitar somente a Sinostrailer e a Casa do Camping, nessa ordem. Se não achassemos algo usado interessante em nenhuma das duas, já poderiamos conversar sobre a construção de um novo na Casa do Camping com todas as possibilidades em mente.

E assim o fizemos. Passamos um final de semana com amigos na região, e na segunda-feira fomos até a Sinostrailer para conversar. Fomos incrívelmente bem recebidos pela Elisa e pelo Paulo. Além do profissionalismo evidente, o casal nos fez sentir em casa, com direito a chimarrão e tudo. Explicamos que gostariamos de ver trailers entre 6 e 7 metros em bom estado, e a Elisa rapidamente fez uma seleção das chaves mais adequadas para uma caminhada no pátio.

Começamos por um Turiscar Vila Rica Residence 94:

Gostamos muito desse. Precisaria de algum retoque para deixá-lo com a nossa cara, mas parecia um candidato razoável a se tornar nossa casa móvel.

Em seguida fomos ver um Turiscar Diamante Club 95, também em ótimo estado:

Também pareceu um bom candidato. Os preços eram semelhantes, e as coisas que gostariamos de arrumar também, então ainda ficamos mais inclinados ao Vila Rica que tinhamos visto antes, pelo espaço.

Dando mais uma volta no patio também tivemos a sorte de poder ver algumas outras curiosidades. Por exemplo, esse trailer ficou embaixo d’água em torno de um mês nas enchentes que houveram em São Lourenço do Sul no RS, e está sendo refeito praticamente do zero:

E esse outro estava sendo pintado:

Também havia esse trailer no meio da loja que estava sendo refeito do zero. Segundo o Paulo, era originalmente um Turiscar Vila Rica do qual foi aproveitado só o chassis. O objetivo inicial era para uso próprio, então ele tem uma série de particularidades como ser um pouco mais alto que o normal, uma porta mais larga, e o objetivo é utilizar fibra ao invés de alumínio:

Após o início dos serviços, o Paulo acabou conseguindo um Imperial em bom estado para uso próprio, e mudou o plano incial. Os serviços nele continuam, mas mais devagar.

Além dos trailers, outro fator que chamou atenção era o número alto de motorhomes no pátio. Alguns estavam a venda, mas muitos estavam lá para manutenções diversas, e uma boa parte dos donos destes queriam seus veículos de volta para os passeios de Páscoa, então a atividade era grande.

Após o tour no pátio da Sinostrailer, ainda haviam mais dois trailers anunciados por eles que gostariamos de ver e que não estavam no pátio. Um deles não conseguimos agendar, mas o outro estava por perto e resolvemos visitá-lo com a companhia do Paulo:

Infelizmente não tirei fotos internas dele, mas está em muito bom estado, incluindo dois ar condicionados split, aquecedor a gás, e outras modificações que a própria Sinostrailer fez. Possivelmente em condições de colocar na estrada e viajar no ato. Por outro lado, o preço está um pouco elevado, acompanhando o estado do trailer. Era mais uma possibilidade a ser pensada.

E assim encerramos a visita a Sinostrailer, com um pouco de pressa a essa altura pois a tarde estava indo embora e ainda queriamos ter um bom tempo de conversa na Casa do Camping.

Ao sairmos, conversamos entre nós o quanto gostamos dessa visita. É raro hoje em dia ver empresas com pessoas tão simples e simpáticas, e independente de onde comprarmos nosso trailer, já sabemos onde queremos fazer a manutenção dele.

Na próxima conto sobre nossa visita a Casa do Camping.

6 de abril de 2015 às 23:54, por Evandro Schenato

Parece a minha história, aguardo o desfecho, pois até agora fiz tudo bem parecido, mas como não decidi (estou no meio do processo) inclusive a camionete já adquiri. Uma l200.

7 de abril de 2015 às 10:12

Evandro, bem vindo ao fórum. Sobre a tua caminhonete, essa L200 é a Triton? Para puxar um trailer pesado, a L200 puxa tranquilo, mas se for das antigas 2.5, se for automática é bom tomar alguns cuidados para evitar superaquecimentos.

7 de abril de 2015 às 16:21, por Evandro Schenato

Ela é 2.5 mas manual, pois tinha me informado sobre isto. Só não sei a capacidade de reboque dela em kilos. Vou investigar em algum site da mitsubishi para ver se acho algo.

7 de abril de 2015 às 16:47

Evandro, se quiseres mais informações sobre a picape, pesquisa no fórum http://www.4x4brasil.com.br . No tópico de picapes encontras muitas informações. Se não me falha a memória a capacidade máxima de tração da L200 é de 3.500kg. Sendo manual, não precisas fazer nenhuma alteração no sistema de arrefecimento, pois é um problema que tem nas automáticas quando submetidas a esforço.

7 de abril de 2015 às 19:50

Buenas Pessoal!

Com grande satisfação que ingresso no tópico do Caro Gustavo, e desde já aviso que é muita consideração da Tua parte, pois na verdade, não mereço tanto; estou no médio duma viagem com o Guanaquito, que se iniciou na Quarta-feira passada em Curitiba, ficamos até Domingo no Balneário da Ilha Redonda em Santa Catarina, e desde Segunda-feira estamos em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, Terra Amada do Glorioso Tricolor!

Gustavo, agora tenho uma internet decente, e posso acompanhar teu relato, que por sinal, é excelente! Muito bem relatado, com minúcias e detalhes enriquecedores, que descrevem de maneira incomparável os pormenores da busqueda da Casa Rodante por parte da tua família e você, numa saga que será, a não duvidar, uma trilogia, excelente, por sinal.

Foi muito bom receber teu e-mail, te apresentando, e foi, é e será uma honra para mim tentar te ser útil.

Veja, meu Caro Gustavo, que assim como eu posso, na medida parca das minhas possibilidades, te ajudar, você já está ajudando, com teu ótimo relato, a outros futuros Campistas, que veram refletidas, nas tuas palavras as suas próprias dúvidas e anseios para com o início do projeto de vida no Campismo, assim como foi, e está sendo, para você.

E o Guanaquito, orgulhoso que as suas andanças, inspirem o nascimento dum “primo”, que logo, logo, estará galopando, peito ao vento, pelas pradarias das expedições Campistas!

Grande abraço meu Caro, fica com Deus, e aguardo impaciente a continuação da saga!

Dardo.

1 curtida

8 de abril de 2015 às 08:30, por Rodrigo Ribeiro

Gustavo, cadê o desfecho!!! Fica atiçando minhas lombrigas e não continua kkkkk

Abraços

8 de abril de 2015 às 10:23, por Ronald Ataulo

Gustavo, minha saga foi muito parecida com a sua e finalizou junto ao carinho do Paulo e da Eliza da Sinos Trailer. Eu sou de Santos-SP e fechei a compra do trailer na total confiança, sem ver!! Quando cheguei na Sinos era exatamente aquilo que eu queria. De lá partimos para um passeio de 10 dias visitando locais como Gramado-RS, Garopaba-SC, Balneário de Camboriu-SC e Curitiba-PR. Pode fechar negócio com esta renomada empresa que você terá toda garantia!!

8 de abril de 2015 às 12:08, por Ricardo Holland

Gustavo a compra de um equipamento envolve muita paciência, viagens, e pessoas mau intencionadas, pois nem sempre a real situação do veiculo condiz com as fotos ou descrições, para comprar meu antigo MH, fiz diversas viagens, São José dos Campos, 2 para Pirassununga, uma para Itajaí, e outra para Belo Horizonte, e há de se levar em conta as manutenções, atualizações, ……, pois mesmo depois de escolher tanto ainda gastei quase 25 mil reais.

9 de abril de 2015 às 16:36, por Jose Antonio

Caro amigos, também estou nessa, a procura de um RV que esteja dentro das minhas possibilidades financeiras mas que seja confiável para viajar sem problemas. Não fiz nenhuma visita ainda a lojas ou revendas, apenas tenho olhado bastante nos sites de negócios tipo mercado livre e bomnegócio.

Minha vontade seria um MH pequeno e econômico, em torno de 7 metros, que facilitaria rodar dentro das cidades, porém acho que o mais indicado pra mim seria um trailer, pois além do preço ser significativamente mais baixo, já tenho uma caminhonete hilux 2007 3.0 4×4 at o que já é meio caminho andado, porém penso muito na segurança, principalmente porque pretendo parar mais em postos de combustíveis e creio que ficaria mais vulnerável pernoitando em um trailer, pelo fato de não ter ligação com cabine.

Outro detalhe seria se com o tempo não acabaria abandonando o trailer e partindo para hotéis, sendo que com o aumento no consumo do combustível, pedágio, veiculo mais lento, manobras difíceis, diárias de campings e demais fatores não acabariam custando muito mais.

Bem amigos, se alguém tiver alguma sugestão, principalmente quem já teve os dois ou anda com trailer por aí.

Abraços, ahh, Gustavo, também estou ancioso pelo desfecho.

9 de abril de 2015 às 20:19, por Ronald Ataulo

Olá José Antonio. Vale bastante a pena você conversar com bastante pessoas que possuam diferentes equipamentos no caravanismo para entender bem suas possibilidades. De fato você tem um carro considerado um dos mais indicados para rebocar um trailer, meio passo dado. Não tenha esta preocupação com segurança pois na verdade é muito mais uma sensação do que de fato uma realidade. Atualmente os postos que podemos parar em viagens oferecem toda segurança que independente do trailer ou MH, você terá uma ótima pernoite. Nada que uma boa cortina não te garanta toda privacidade mesmo tendo pessoas passando ao lado. Quanto ao abandono da modalidade, penso que ingressar no caravanismo, independente se no trailer ou MH, ou até mesmo no campismo de barraca, é uma vontade de conviver mais próximo à natureza e com pessoas mais dispostas a fazer novas amizades. Penso até que custe mais caro do que ir para hotéis. Você pode até aceitar um tempo curto na modalidade, mas acredite em mim, não deixe de viver esta experiência pois é muito gratificante. Se quiser tirar qualquer dúvida, fique a vontade!!

Abraços,

10 de abril de 2015 às 14:55, por Jose Antonio

Obrigado pelas dicas Ronald, com certeza serão de grande valia para minha aquisição. Como você disse, vou pesquisar bastante pois não quero errar e sair vendendo um equipamento pra comprar outro num curto espaço de tempo, porém, sem dúvida alguma quero viver essa experiência. Se alguém mais puder ajudar, principalmente quem já teve os dois veículos e sabe bem seus prós e seus contras por favor divida conosco.

10 de abril de 2015 às 23:28

Muito obrigado a todos pelos comentários gentis, e me desculpem pelo suspense não intencional. A correria foi grande nos últimos dias e estava difícil de reservar um tempo para continuar o relato. Hoje a noite consegui sentar com um pouco de paz para ir em frente.

Depois de sairmos da Sinostrailer naquele dia fomos então a Casa do Camping, atrás de alguns usados muito bonitos que estavam anunciados online, e também de mais informações sobre a fabricação de trailers novos. Apesar da Sinostrainer ser em Novo Hamburgo e a Casa do Camping em São Leopoldo, as cidades são vizinhas e o percurso demora só 10 ou 15 minutos. Em um pulinho estavamos alí.

Fomos recebidos pela Clarice, que não perdeu tempo e nos mostrou imediatamente no pátio os dois veículos usados que vimos online, ambos de fabricação da própria Casa do Camping. Nesse caso especifico não tinhamos muita esperança de nos interessarmos pelos trailers em sí, pois eram um pouco pequenos para o que tinhamos em mente, mas sim nos materiais utilizados, na qualidade do acabamento, e assim por diante.

O primeiro que vimos foi um trailer de 4 metros e 80, muito bonito:

O trailer era utilizado por um casal com três filhos, como se percebe pelo treliche.

Em seguida fomos ver um outro de 3 metros e 80, também praticamente zero:

Gostamos bastante do que vimos. Por um lado os trailers são parecidos com os da Turiscar, como era de se esperar pelo histórico da empresa. Por outro lado, eles tem um ar moderno, com materias novos, e geralmente claros (depende da escolha do freguês ainda). Nos sentimos bem dentro deles.

Ainda como parte do passeio, novamente fomos dar uma olhada rápida na parte da fabricação dos trailers:

Nesse ambiente também haviam vários outros trailers comerciais não relacionados com camping (lanche, escritório, etc). Questionei sobre trailers maiores, e a Clarice nos informou que em média de cada 5 trailers de camping, 4 são menores e 1 é dos maiores com 6 metros ou mais.

Depois da andança, fomos para o escritório para tentar conversar um pouco sobre a fabricação de trailers novos mas infelizmente essa parte, a que tinhamos mais interesse, não deu totalmente certo. Já era final de tarde, e por essas alturas nosso filho de dois anos já estava cansado de nos aturar falando sobre “coisas chatas” com estranhos, e resolveu que o escritório era muito monótono para ele. Pra nosso azar, no pátio também havia um cão em algum local que não era muito tranquilo, e não podiamos permitir que ele saísse a passear. Com essa função, sob determinado atríto, conseguimos conversar sobre algumas coisas pra entender melhor o processo, mas não fomos tão a fundo como gostariamos. Conseguimos saber o valor base do trailer de 7 metros, e de como ele se pareceria esteticamente, mas não tinhamos idéia exata do que estava incluído ou não nesse valor. Solicitei então que me fosse enviado por email um descritivo mais completo do projeto, incluindo algumas solicitações especificas sobre conversor, inversor, placa solar, etc.

Em seguida recebi o email, mas não era exatamente o que eu esperava. No email constavam os detalhes base do projeto, por exemplo indicando que a suspensão era por torção, que as laterais e teto usavam madeira naval, que o exterior era em alumínio, e assim por diante. Todos esses detalhes são interessantes e importantes, mas já imaginavamos por se tratar de um “Turiscar moderno”. O que não sabiamos eram os demais detalhes, como por exemplo o conversor e inversor utilizados e suas potências, se era possível incluir a instalação das placas solares que haviamos solicitado, e assim por diante. Porém, como resposta a essas solicitações veio simplesmente que o projeto incluiria “inversor para a geladeira”, por exemplo, e que as placas solares não estavam no orçamento.

Então, apesar de termos achado os trailers da Casa do Camping muito bonitos, acabamos por ter uma visita um pouco frustrante. Por um lado, nosso pequeno nos tirou muita da atenção que gostariamos de ter dado ao evento, e por outro recebemos uma boa atenção da empresa, mas tradicionalmente comercial (o que é normal, mas impossível não conrastar com a que tinhamos recebido momentos atrás na Sinostrailer naquele dia) e também insuficiente até esse ponto, no sentido que precisavamos solicitar mais informações sobre o que acabavamos de conversar. Teríamos que pensar.

Depois dessa visita, aproveitamos que estavamos na região e subimos até a serra para nos hospedarmos em nossa pousada favorita em Canela. Na noite, conversando sobre os eventos do dia e sobre o que fazer, veio a idéia de agendar uma nova visita a Sinostrailer para o dia seguinte, já que ainda estavamos por perto. Liguei para a Elisa e perguntei se eles teriam disponibilidade para nos atender para conversarmos novamente, e se por acaso conseguiriamos aproveitar também essa segunda visita para conhecermos o trailer da Apolo que não estava no pátio. Ela ligou para o Marcelo, dono do trailer, e confirmou: o trailer estaria lá as 17h, e teriamos tempo para conversar sobre outras idéias.

No próximo capítulo, que vou tentar escrever ainda hoje ou amanhã, mais fotos e a decisão do trailer.

11 de abril de 2015 às 10:24

Buenas Gustavito!

Muito legal a continuação do relato; estava lendo o mesmo para mi esposa enquanto ela limpa o Guanaquito (eu arrumei a cama, antes que falem que não ajudo :smiley: ), e ela diz …“Gustavo e’ bem detalhista, parece você”, o que é um elogio para mim…eu acho :confused: :smiley:

Bem, ainda em Santa Rosa, no Grande Rio do Sul, e se dão licença, tenho que ir comer um churrasco na casa da “primarada”…fazer o que, alguém tem que fazer sacrifícios em prol da humanidade (a minha humanidade, claro! :smiley: )

Abraços Gustavito!

Dardo.

11 de abril de 2015 às 16:53

Obrigado Dardo, e muito bom proveito na churrascada. E concordo contigo, considero um elogio também! :slight_smile:

Bom, esse é um bom momento para contar essa parte decisiva da história, pois acabamos de concluir uma fase importante. Como vou explicar, apesar de ficar claro o rumo que tomou a história, ainda vão ter algumas coisas legais para contar no futuro.

Na continuação, descemos de Canela para visitar a Sinostrailer novamente no dia seguinte. Chegamos por volta das 16:30, e o Marcelo já estava lá com o trailer da Apolo.

O Marcelo foi muito gentil, e nos apresentou todos os detalhes do trailer por dentro e por fora:

O Marcelo o utilizava principalmente para eventos dos quais fazia parte, e está querendo vender para adquirir um motorhome que tenha espaço para cavalos. Ele é completíssimo, e estava tão bonito e inteiro ao vivo quanto tinhamos visto nas fotos. Tinha apenas pouquíssimos detalhes relevantes que pudessmos notar, como um pneu levemente rasgado, e a portinhola da cozinha externa estava entrando água (não um grande problema, pois não parecia ser de madeira internamente). Bom, e tinha um outro detalhe não tão pequeno: o preço é razoável, em 103 mil reais. Precisaríamos negociar, mas não estava fora da realidade.

Para fechar com chave de ouro, o Marcelo me incentivou a dar uma volta com o trailer. Expliquei que não podia porque ainda estava providenciando a adaptação de um engate de melhor qualidade na S10, e ele prontamente ofereceu o seu próprio carro para darmos uma volta. Resisti no início, mas depois me arrependi a aceitei a oferta, pois seria uma oportunidade única de antecipar como seria dirigir com um trailer de grande porte antes de investir em um.

A experiência foi muito boa, e recebi uma aula do próprio Marcelo sobre como controlar o trailer adequadamente. Agradecí bastante o Marcelo na ocasião, logo após o evento, pois fiquei de fato surpreso com a atitude dele. Não sei se eu teria feito o mesmo, confiando em alguém desconhecido com meu Land Rover e com um trailer de 6 metros atrás sem experiência alguma, e em horário de muito movimento! Uma lição, dupla.

Bom, esse trailer era agora uma possibilidade real em nossas mentes. Mas tinhamos uma carta na manga para conversar com o Paulo e a Elisa, da Sinostrailer: na noite anterior, haviamos lembrado que aquele trailer que eles tinham começado a montar para eles próprios, estava agora parcialmente parado e sem um destino claro. Será que eles teriam interesse em nos vender e finalizar o projeto sob encomenda?

Só para lembrar, o trailer é um antigo Vila Rica do qual foi aproveitado somente o chassis, e contará com uma série de modernizações incluindo fibra ao invés de alumínio:

Essa era uma ótima forma de unirmos tudo de bom que vimos, e ainda por cima fazer o trailer na empresa em que nos sentimos mais a vontade. Detalhamos o projeto para eles, e explicamos quais os detalhes que eram importantes para nós, e quais detalhes gostaríamos que eles fizessem o que achassem melhor pois certamente a experiência deles resultaria em algo superior.

Eles entederam, e demonstraram interesse na idéia. Porém, ainda não conseguimos fechar nada nesse dia pois o movimento na Sinos era muito grande devido as muitas manutenções que estavam em andamento para o feriado de Páscoa. Então, só pedimos que pensassem na idéia com carinho e nos dessem retorno quando algo fosse decidido a respeito.

E assim fomos pra casa, com duas boas possibilidades, uma da Apolo, e outra da própria Sinostrailer. Ficamos sem retorno algum por vários dias, e na semana seguinte um fato interessante apareceu: um trailer Diamante, no Rio de Janeiro, aparentemente em um estado muito bom:

Entrei em contato com o José Henrique, dono do trailer, que me passou que apesar do trailer estar anunciado por 72 mil reais online, ele o vendería por 60 mil pois não tinha interesse em ter lucro no negócio e não queria que viessem reclamar de problemas futuros. Claro, essa conversa não inspira muita confiança, e poderia ser apenas uma forma suave de informar que haviam problemas. Então solicitei mais fotos do trailer, e também de sua documentação.

Na tarde, recebi as fotos, e não havia nada de muito feio que pudesse ser apontado de imediato. A vedação externa, como ele mesmo havia informado, parecia um pouco velha e sem cuidado, o que poderia ser um sinal de infiltração e de custo alto para reparo. Porém, era difícil de ter certeza por telefone. Começei a pensar se uma viagem ao Rio para ver o trailer ao vivo seria possível. Cheguei até a conversar com o Dardo para ver se havia alguém conhecido na área, que pudesse rebocar o trailer para um local de armazenamento se o negócio fosse concretizado.

Porém, embora estivessemos estudando essa possibilidade, as duas outras possibilidades ainda eram reais, e nossa preferência entre todas elas ainda era fechar aquele trailer com a Sinostrailer. Então, antes de investir muita energia nessa nova frente, entrei em contato com a Elisa, da Sinostrailer, e expliquei o que estava ocorrendo, e indicando que ainda gostariamos de fechar com eles.

Uma hora depois, a Elisa ligou de volta, e colocou um preço no negócio. O valor pareceu dentro do mercado, e considerando todas as vantagens tanto de montagem de um novo trailer quanto de estarmos negociando com quem realmente queriamos, fechamos o negócio!

Bom, fechamos verbalmente. Nesta última quinta estivemos lá novamente para conversar sobre mais alguns detalhes e concretizar o negócio. Fato consumado agora.

O trailer já havia evoluido um pouquinho desde nossa última visita, mas não muito. O Paulo tinha me informado que gostaria de fazer uma pequena adaptação na cama, que é um pouco maior que o normal, para que os pés tenham melhor acomodação quando por perto:

Agora a evolução deve ser mais rápida com o negócio fechado.

Como sempre também haviam outras coisas interessantes no pavilhão. Por exemplo, essa Kombi Safari estava lá para reforma, e já estava um tanto quanto desmontada:

Bom, e essa foi a parte principal de nossa história em busca da casa móvel. Depois de algum estudo no lado dos motorhomes, chegamos a conclusão que um trailer e uma boa camionete acomodaria as nossas necessidades melhor, e depois de muito procurar, fechamos negócio com a Sinostrailer em um negócio um pouco raro, por eles não fabricarem trailers como este praticamente do zero normalmente (por enquanto :-).

Como conversamos minha esposa e eu, esse também foi um negócio um pouco raro para nós, pois em geral evitamos os negócios com tanta incerteza. Dependemos totalmente da honestidade e boa vontade da empresa. Mas depois de várias interações, ficou claro que o negócio estaria em boas mãos, e fomos em frente.

Espero que a história tenha sido útil para alguns, ou ao menos um bom entretenimento. Vou continuar atualizando as novidades aqui, quando houver algo interessante.

Um bom final de semana pra todos, e bons passeios nas suas casas móveis!

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